Não é de hoje que venho observando os movimentos e atitudes de muitos de nós nas redes sociais. Digo "nós" porque eu também me incluo nisso. Tento refletir sempre sobre o meu papel na sociedade e quando reflito sobre o meu papel invariavelmente reflito sobre o papel das pessoas com quem milito e convivo. Não deixamos de ser o que somos quando acessamos uma rede social. Todas nossas carências, preconceitos, crenças, limitações e qualidades de uma forma ou de outra são expostas nas redes queiramos ou não. Alguns de nós pensam que podem mascarar ou esconder suas idiossincrasias atrás da tela de um computador, mas, o que compartilham, como e de que forma compartilham, o que comentam e curtem denuncia o que vai dentro de si. Confesso que tenho andado um tanto cansada do que tenho visto. A novidade de um primeiro momento quando a gente verifica o grande potencial comunicativo das redes e quer a todo custo espalhar a verdade e compartilhar a realidade já esgotou um pouco em mim. Atualmente observo os "olhos", os "ouvidos" e os "sentidos" que a virtualidade da rede tem instigado em muitos de nós e volta e meia me assusto, me entristeço e me rebelo com o que vejo. Independentemente do que, enquanto militantes conseguimos fazer como ação política determinada, compartilhando verdades no meio de tantas mentiras, enganações, mascaramentos e falsas notícias criadas para atacar a esquerda e principalmente, o Partido dos Trabalhadores. Tenho muitas dúvidas sobre o momento que estamos vivendo. Ainda bem que as tenho, pois, certezas cristalizadas não fazem bem a saúde. Muitos se espantam da pancadaria e violência nas ruas. Por que se espantam? O que temos visto nas redes sociais é o espelho e o estopim do que vemos nas ruas. O ódio de classe, a intolerância para com o debate, a falta de vontade para a reflexão, o preconceito com o novo, a discriminação com a experiência reflete a cultura violenta que nos assola e as crenças coloniais que teimam em continuar se fazendo presentes em nossas mentes e corações. É como se vivêssemos em estado de extrema "catarse", bitolados ainda por uma formação medieval que não reconhece a diversidade, o pluralismo e a complexidade presentes nas diversas situações da vida cotidiana. Temos horror ao fundamentalismo religioso e político, mas, quantas vezes partimos para o ataque "demonizando" ou "santificando" pessoas porque elas não estão ao lado de nossos interesses... Como é fácil simplificar as questões e anular o debate! Como é simples dar ênfase ao que não funciona em detrimento do funcional! Tanta coisa mudou no Brasil para melhor... Mas, e nós? Estamos marcados ainda pelo opressor e oprimido que lutam dentro da gente, cada um puxando o tapete do outro. Quando vamos expulsar os dois tendo coragem para assumir o que somos sem a máscara que roubamos do sistema? Essa mesma crônica que me desnuda e desnuda muitos de nós que aprendemos a viver na hipocrisia será motivo de debate? Será que vão compartilhar no facebook, no orkut, no google? Será que vão curtir? Me pergunto se lerão com vontade de questionar-se, de refletir, se passarão adiante o texto pelo simples fato de serem meus amigos na rede ou porque ele de fato lhes tocou a alma? O virtual e o real se misturam numa mesma visão de mundo. Quem são os outros e quem somos nós? É possível responder? O que é virtual e o que é realidade? Quero continuar me questionando e tendo certezas transitórias... São elas que estão me ajudando a compreender esse Brasil que vai pouco a pouco se mostrando como sempre foi. Cabe uma última pergunta e tenho tantas... O que nos cabe fazer para mudar de fato?
terça-feira, 29 de outubro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
UMA GUERRA POLÍTICA INVISÍVEL
Conversando com um amigo esses dias sobre a ação penal 470 e todas as injustiças cometidas contra os réus que estão sendo condenados nela, consegui ligar alguns pontos importantes sobre a história política atual do Brasil. Até 2002 o Brasil vinha rezando na cartilha do FMI, do Banco Mundial, dos EUA e nada era feito no sentido de mudar essa trajetória. A pedra no sapato do colonialismo mundial foi a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, levando o Partido dos Trabalhadores ao Governo. Não foi a toa que José Dirceu articulou a famosa "Carta aos Brasileiros" e que o PT se aliou a outros partidos tendo como vice-presidente o empresário José Alencar. Tudo isso foi feito para contrabalançar o ódio das elites. Sim, as elites desse país nunca aceitaram ceder de seus privilégios, quanto mais ser governadas por um trabalhador e muito menos que esse trabalhador fizesse mudanças significativas na vida e na cultura dos brasileiros. Uma cultura rançosa de preconceitos, discriminações e subalternidade colonial. Fazendo algum tipo de analogia, o que aconteceu nas eleições de 2002 equivalem a uma nova forma de lei áurea. Houve a formalização legal da libertação almejada pelo povo através das eleições, o Governo foi assumido pelo PT e pelos trabalhadores, mas, o sistema, há anos nas mãos do capitalismo coronelista mundial não quis ceder das vantagens que sempre tiveram do poder. E foi no meio disso que Lula teve que se mexer para buscar soluções no sentido de melhorar a vida do povo brasileiro e buscar a soberania do país. Diria que Lula agiu junto com outras lideranças provocando fissuras no sistema de forma a torná-lo mais permeável as mudanças que precisavam ser feitas. Seus dois mandatos foram responsáveis por provocar inúmeras transformações nas trajetórias econômica, social e política do país, mas, não foram eficazes no sentido de fortalecer uma mudança significativa no "status quo" e na cultura colonial vigente por 500 anos no Estado brasileiro. Ganhar o Governo não fez com que o PT ganhasse o Poder! De fato, muitos sapos tiveram que ser engolidos para que as transformações que ocorreram fossem efetivas. Eu vi isso acontecer de forma contundente na Petrobras. Uma empresa que vinha somente dando prejuízos passou a dar lucros estupendos. A guerra de poder dentro da Petrobras foi semelhante a guerra de poder no Governo Federal. É aí, no meio de uma guerra de bastidores, invisível à população, que iremos entender melhor como aconteceu a Ação Penal 470. Mais do que nunca vejo o quanto a denúncia de Roberto Jefferson, que a princípio parecia um simples ato de vingança, foi um ato inteligente de conspiração contra as transformações que estavam acontecendo e contra a principal liderança que estava coordenando isso. Uma fonte da embaixada norte-americana esses dias falou que José Dirceu era espionado pelos EUA e considerado homem perigoso para os interesses de Washington. Diante de tudo que conhecemos dessa ação penal, o desrespeito ao duplo grau de jurisdição, a falta de provas contra os réus, as inúmeras provas de inocência nos autos ignoradas, documentos que foram escondidos, o comprometimento da mídia com o linchamento dos réus do PT, o aliciamento dessa mesma mídia com políticos dos partidos que sempre estiveram no poder e o envolvimento de magistrados do STF com partidos de oposição e agora sabemos, também com os EUA, e conhecendo sobre a espionagem praticada a tanto tempo no Brasil, não há como não colocar na mesa a tese de que o que sempre esteve em jogo foi a desestabilização do Governo do PT para desestabilizar nossa soberania. Principalmente, depois da elite ter visto que o povo brasileiro ganhou auto-estima, que o Brasil estava melhorando apesar de todos os problemas no cenário mundial e que os mandatos dos governantes do PT iriam pipocar pelo país trazendo inovações em muitas áreas e mudanças culturais e sociais importantes. A necessidade de criar um fato bastante negativo para criminalizar o PT e desestabilizar de vez o Governo foi crucial para fazer com que vários avanços fossem detidos. Acredito que num futuro bem próximo teremos provas documentais de que isso ocorreu. Vários militantes petistas caíram nessa onda e outros partidos de esquerda foram cooptados por seus interesses eleitorais e aproveitaram-se. O PT sobreviveu apesar das mentiras, invencionices, intrigas, ódios e fascismos de muitos contra políticos, militantes e contra o Governo de Dilma. E na linha de tudo isso, ouso colocar em debate, está o petróleo...
domingo, 15 de setembro de 2013
A MÍDIA E A AÇÃO PENAL 470 - MORTES EM VIDA
A morte de Gushiken na última sexta-feira, dia 13, me fez refletir sobre esse acontecimento. Sim, a morte é um acontecimento. Por mais que muitos tenham medo, dúvidas ou até uma certa obsessão em relação a esse tema, não há como deixar de pensar que ela é a única certeza que temos na vida. Há alguns anos passei a lidar mais diretamente com ela. Meu pai faleceu em outubro de 2010 e minha mãe em agosto do ano passado. Fui eu que tive que cuidar de todas as providências e isso me deu uma certa dureza para enfrentar o inevitável. Alguns anos antes convivi com o desespero de minha filha que deu a luz um menino que nasceu com apenas seis meses e morreu uma semana depois de nascido. Presenciar a cena de minha filha e meu genro chorando com aquele pequeno ser dentro de um caixãozinho foi uma dor imensa. Mas tudo se supera nessa vida. Queiramos ou não, a morte é a nossa companheira. Todos iremos morrer e disso não temos como escapar. Nosso corpo não dura para sempre e vai se degenerar em algum momento. Mas, há mortes e mortes... A morte física, essa é irremediável. Mas, temos as mortes em vida. Temos os assassinatos morais. É possível sim abreviar a vida de alguém imputando a essa pessoa sofrimentos morais e emocionais, tornando sua vida insuportável criando mentiras, intrigas, fofocas e terrorismos de toda ordem que irão limitando e minando sua capacidade de ação. Para mim essa é a mais criminosa forma de matar. Há uns 20 anos, quando morava em São Gonçalo no RJ, assisti de perto a história de um marceneiro muito bom e honesto que morava próximo ao bairro que morávamos. Pois bem, a foto desse marceneiro saiu no jornal como se fosse um bandido. Depois de algum tempo se verificou que o bandido era outra pessoa e não ele como tinham veiculado na imprensa. Nem nota de rodapé o jornal fez e a vida desse homem acabou. Perdeu a mulher e hostilizado pela comunidade em que morava teve que se mudar e nunca mais eu soube dele. Conheço empresas que abrigam executivos que desmantelam emocionalmente seus funcionários, praticando assédio moral de forma deliberada e conveniente com suas políticas de produção a qualquer custo. Acabam com a vida de pessoas no local de trabalho e denigrem suas imagens através de vários meios. Conheço comunidades onde integrantes corruptos da polícia matam sem pestanejar qualquer pessoa e usam a mídia para macular e denegrir o morto como bandido a fim de esconder sua insânia e seu crime e mostrar "produtividade" da polícia. E aí voltamos para a mídia, responsável pela destruição do meu colega marceneiro e de tantos por aí. Qual a intenção dos veículos de comunicação quando publicam alguma coisa? Melhorar a sociedade? Tornar a vida das pessoas melhores? Colaborar para um Brasil mais justo e menos desigual? Denunciar os malfeitos? Não!!! Os veículos de mídia querem preservar seus privilégios. Querem conservar seus milhões através da corrupção engendrada por seus parceiros políticos. Para a mídia tudo é permitido! Corrupção, sonegação, desinformação, manipulação, e vai por aí a fora... A mídia é hoje um câncer em nossa sociedade. Não há democracia possível com o poder que ela atingiu de manipular a opinião pública, destruindo pessoas e suas reputações por força de sua necessidade de atingir aqueles que considera seus inimigos ou na ânsia de ajudar seus amigos. Gushiken foi uma vítima que suportou até onde pode o linchamento a que foi submetido, assim como estão sendo linchados e achincalhados Pizzolato, Delúbio, Genoíno e José Dirceu. Não tiveram direito ao que a Constituição prevê: um julgamento isento e justo, que fosse analisado em todas as instâncias do Judiciário de forma a que os recursos e provas de inocência constantes do processo fossem levados em conta. Apenas quatro réus deveriam ter sido julgados pelo STF. Além disso, eles tiveram, assim como Gushiken seus nomes expostos cotidianamente na mídia como "mensaleiros", "ladrões", "corruptos", entre outros adjetivos que lhes foram outorgados e que grassam da boca de jornalistas sem escrúpulos e pessoas insensatas que não se preocupam em se informar corretamente, Mesmo antes do processo chegar aos tribunais, com todas as provas e evidências de inocência que foram demonstradas, os réus já tinham sido considerados culpados e o discurso da culpa já tinha sido assumido pelo STF, e mais, assumido pelo PGR que em conluio com alguns ministros ajudou a esconder provas e manipular documentos e processos relacionados. Quem conhece o processo a fundo sabe disso. Sabe que esse julgamento de exceção foi montado. Sabe que foi dado todo um tratamento diferenciado de modo a mascarar os erros e condenações injustas dando ao julgamento a aparência de algo isento, de forma a captar as vozes dos alienados que anseiam por sangue e punição, sem reflexão, seja a que preço for. A mídia que manda no mercado, envolvida até o pescoço em todas as situações relacionadas a patrocínio no processo, sequer é citada. E foi essa mesma mídia corporativa que matou Gushiken é que vem tentando matar de forma rasteira Pizzolato, Delúbio, Genoíno e José Dirceu. É ela que mata todos que de alguma forma lutam para que os privilégios colonialistas de 500 anos de Brasil acabem. É ela que mata todos que pertençam ou lutem ao lado do povo oprimido e excluído desse país. Seja qual for o resultado do julgamento da AP 470 no STF, essas pessoas já foram julgadas, condenadas e criminalizadas pela mídia. Só a história poderá dar-lhes justiça... Até lá, talvez, elas já tenham morrido de fato. A morte física não perdoa ninguém nem os injustiçados e nem quem os massacrou e puniu. Mas, a história cedo ou tarde chegará à verdade e irá contar os feitos detalhando as infâmias, mentiras e conspirações de hoje. Aí, com certeza, os verdadeiros heróis serão reconhecidos e ninguém mais poderá mentir sobre eles. Gushiken, Pizzolato, Delúbio, Genoíno e José Dirceu são inocentes dos crimes que lhes foram imputados. Não há mais nada o que dizer! Eles já foram assassinados, em vida!
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