Muito se tem falado sobre a mídia. Eu, exponho aqui e em outros sites de relacionamento minhas críticas aos seus interesses corporativos para manter seus privilégios e enriquecimento. Todavia, são poucos que falam sobre a invasão subjetiva nas mentes e corações que o sistema capitalista de comunicações provoca. Há muito venho observando como a desumanização é incentivada por eles, os donos dos sistemas de comunicação, nos jornais, nas revistas, na TV com várias "atrações" feitas para incentivar formas de pensar, formas de agir, o que vestir, o que falar, o que sentir... Enfim, uma formação cultural baseada numa sociedade capitalista de consumo. A sociedade da generalização. A sociedade do espetáculo! A sociedade da ilusão! A sociedade onde o contato com a experiência e a vivência são negligenciadas pelo que se vê na tela da TV e nas variadas mídias. A sociedade do pensamento único! A coisa é tão sutil que muitos companheiros e companheiras que conheço e que sei que são pessoas dignas lutando por um país melhor, muitas vezes tem atitudes que descambam para a acomodação nessa "matrix cultural". Só para exemplificar vejam isso. Recebi há duas semanas de dois trabalhadores associados do nosso sindicato, e-mails de cobrança que representam bem essa cultura capitalista e colonialista disseminada em nosso cotidiano. Em ambos, observo palavras escritas em um tom imperativo, grosseiro, arrogante e imperialista. O que somos nós, diretores do sindicato para muitos trabalhadores e trabalhadoras? Como representantes deles, nos transformamos em objetos de seu uso. Ou nos transformam em santos ou em demônios... Como se humanos não fôssemos, como se problemas não tivéssemos, como se não fizéssemos mais parte da mesma classe que eles. Sim, estamos no sindicato por fazer parte da classe trabalhadora, para junto com eles pensar estratégias e táticas para melhorar a sociedade e as relações de trabalho. Estamos no sindicato para atuar políticamente a favor da classe trabalhadora. É para isso que, através dos acordos coletivos, conquistamos nossa liberação do trabalho nas empresas que somos empregados. A lei nos faculta imunidade para isso. Quantas vezes acordamos cedo e dormimos tarde fazendo assembléias, reuniões, encontros, movimentos, plenárias, audiências, entre outras atividades diárias. Quantas vezes esquecemos de pagar uma conta, deixamos de ir em compromissos familiares, abandonamos atividades de lazer, por conta dessa opção de estar no sindicato e trabalhar politicamente. Quantos sábados e domingos perdemos por conta disso? Quantas vezes a insônia nos visita por causa de algum problema advindo da luta política e sindical que queremos resolver e não conseguimos relaxar sem encontrar a solução? Muitos trabalhadores não vivem o que vivemos e nos julgam como patrões colonialistas e cruéis. Alguns nos chamam de bandidos, outros que nos locupletamos no sindicato, também já ouvi de alguns que somos vagabundos... Enfim, toda sorte de "adjetivos" que se somam às variadas solicitações feitas de forma muitas vezes leviana e agressiva. Ou seja, para eles, antes do respeito, da participação e presença ativa no sindicato, jogam nas costas dos dirigentes suas frustrações, suas responsabilidades e uma desconfiança constante. Desconfiança essa estimulada pela mídia todos os dias. Desconfiança de quem não vivencia a luta e observa de longe, sem conhecer seus meandros e dificuldades. É claro que não podemos esquecer que existem sindicatos e sindicalistas e alguns desses colaboram para que a mídia faça seu trabalho político-ideológico de manter os trabalhadores e trabalhadoras ausentes do sindicato e longe do debate e da reflexão. Sindicatos que se formaram numa cultura corporativista, e que ajudam a estruturar subjetivamente nos trabalhadores de seu ramo econômico esses sentimentos de não pertencimento à sua classe. Assim, vejo que nos cabe uma profunda reflexão sobre esse assunto. Se as trabalhadoras e trabalhadores se distanciam do sindicato como o sindicato também se distancia deles? Como trazê-los para perto de nós para vivenciarmos juntos a luta política? Como desconstruir a hegemonia do consumismo, do individualismo, da generalização e do pensamento único pregados pela mídia em nosso cotidiano? Isso é assunto vasto e polêmico que merece uma discussão mais aprofundada em nossa próxima postagem.
sábado, 23 de março de 2013
sábado, 9 de março de 2013
O DIA DA MULHER E OS MALES DO MUNDO
Vi várias manifestações e textos no facebook e em blogs sobre o dia da mulher na última semana e confesso que isso me provocou muitas interrogações e questionamentos e me fez ver o quanto ainda estamos presos a uma cultura dos extremos, que é dos outros e não nossa. Não vou aqui levar em conta a data em si e o que se quer lembrar e afirmar. Essa é outra história! As questões de classe, ao longo do tempo vem sendo lembradas e afirmadas continuamente. Minhas reflexões foram para outro canto, assumiram outra direção. Me pergunto: O que falta em nós, mulheres e homens para assumir e aceitar nossa própria identidade? Ainda nos vestimos de muitos estereótipos. Cada um de nós teve uma formação intelectual e cultural, viveu experiências, aprendeu e corporificou atitudes do mundo. Ao invés de buscar nossa própria forma de ser, nossa intuição, nossos pensamentos, nossos sentimentos e nossa forma de agir, ficamos imitando os outros, nos espelhando nos outros, criticando o jeito dos outros e incorporando gestos e ações que são sempre colocadas como verdades pelos outros. Estou me rebelando contra isso! Esses dias ao solicitar de meu jornalista uma figura feminina para colocar no jornal do nosso sindicato fiz questão de frisar: não quero figura de mulher cheia de florzinha! Ele riu e colocou a foto de uma mulher trabalhadora, de capacete e uniforme. Ele entendeu um pouco do que eu quis dizer, mas, não entendeu tudo. Ser trabalhadora, fazer política, liderar, comandar um sindicato, uma prefeitura, uma escola, ou qualquer entidade, fazer parte de movimentos sociais e de lutas em prol de mudanças no mundo requer uma segurança e um equilíbrio muito grandes. Há algum tempo atrás diria-se que isso não era coisa de mulher... Mas, também não é coisa de homem, nem de homossexual. Isso não tem nada a ver com gênero ou opção sexual. Isso é coisa de ser humano... Não existem coisas de mulheres, coisas de homens, coisas de éteros ou de homossexuais e outros conceitos que campeiam por aí... Como seres humanos temos o direito de viver a nossa vida, escolher o que queremos, fazer o que nos inspira e temos o dever de ser nós mesmos e não um espelho do que os outros acham que devemos ser ou que o sistema nos diz que temos que ser. Isso é muito difícil! Nossos paradigmas sempre atrapalham. Os extremos, os malditos extremos. A razão de nossos problemas em nossas relações. É o que nos faz odiar! É o que nos faz reativos e submissos aos preconceitos e reacionarismo. Isso me incomoda. Quero poder sentir e pensar o que quero, sem que alguém me diga que aquilo é ruim ou bom. Sem hipocrisia e puritanismo. Mas também, sem a necessidade de abandonar valores que me fizeram ser quem eu sou e que funcionam para mim. Chega de sistemas em nossa vida! Eles invadem o direito de ser o que queremos ser. Eles nos colocam num quadrado, nos obliteram os sentidos e as possibilidades. Não sou uma mulherzinha querendo colo, nem flores, nem força... O que não significa que eu não goste de flores, que eu não me alegre com um beijo e um abraço ou com um presente fora de data. Todos queremos viver, amar e ser felizes... Ou não? Quero também o direito de ficar nervosa, de chorar, de ficar irritada ou frustrada com alguma situação sem que me chamem de fraca, deselegante, controladora ou que digam que estou dando "piti". Quero dar ajuda e receber ajuda! Quero ter alguém para me acalmar e acarinhar! Sem joguinhos, subterfúgios ou idéias preconcebidas sobre amor. Quero ser livre para ser eu mesma! Esse o nosso maior presente! A liberdade de ser quem somos! Sendo mulher ou homem, sendo gay ou lésbica, nada disso importa! O que importa é ser você! Seja você! Conheça suas limitações e seus pontos fortes! Aceite-os e trabalhe com eles! Com autenticidade! O amor liberta e quem gosta de você de verdade vai gostar e te aceitar do jeito que você é! A vida é dura, as discriminações existem, os preconceitos também, mas, se não formos nós mesmos estaremos abrindo mão do que existe de mais bonito e honesto em nós, nossa humanidade! É ela que cura todos os males do mundo!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
PELA DEMOCRATIZAÇÃO E REGULAÇÃO DA MÍDIA
Todos que me conhecem sabem de onde venho. Conhecem minha história, minhas origens e minha luta ao longo dos anos nos movimentos populares, inicialmente na comunidade onde morei em São Gonçalo e no movimento sindical. Tenho colocado meu ponto de vista nas mídias sociais (facebook, twitter e nesse blog) sobre a democratização e regulação das comunicações no Brasil. Pois bem, se já fazia parte dessa luta que considero importantíssima para elevarmos não só o nível de democratização de nosso país, como também fazermos acontecer verdadeiramente a liberdade de expressão, agora, mais do que nunca, me sinto à vontade para falar desse assunto. Não sou jornalista, mas, não é preciso ser jornalista para entender que em nossa sociedade hoje todos somos cerceados em nosso direito de receber uma informação isenta e fiel aos fatos. A grande mídia, que se traduz em seis famílias que detêm o poder de informar à sociedade aquilo que querem que a sociedade saiba, ganham muito dinheiro às nossas custas, para nos desinformar, manipular e cercear e com isso defender seus mesquinhos interesses. Tive nessa terça-feira, 27/02 a prova mais concreta disso. Sou presidente do Sindicato dos trabalhadores no comércio de minérios e derivados de petróleo, da qual fazem parte os trabalhadores da Petrobras Distribuidora. Registramos em nosso jornal "O Petróleo" uma denúncia que recebemos dos trabalhadores da empresa na íntegra. Qual não foi nossa surpresa, quando na noite de ontem, dia 27/02/2013, nossa denúncia foi publicada de forma distorcida, enviesada e mesclada de leviandades que absolutamente não escrevemos em nosso jornal redigida pelo Sr. Ricardo Noblat, jornalista de O Globo em seu blog. Segue para informação a dita nota do Sr. Noblat e nossa resposta ao mesmo.
A notícia do Sr. Noblat no Blog dele:
Sindicato denuncia corrupção na Petrobras
Assinado pelo Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minerais e derivados de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, um informe de quatro páginas denuncia licitações viciadas e superfaturadas bancadas pela Petrobrás.
Uma delas foi para a ampliação e modernização da fábrica de lubrificantes da BR em Duque de Caxias. A obra custaria R$ 80 milhões. Saiu por R$ 180 milhões.
Diz o informe que o dinheiro obtido por meio das irregularidades foi desviado por militantes do PT que trabalham na Petrobras para fazer face a despesas com campanhas eleitorais.
Minha resposta ao Sr. Ricardo Noblat sobre as inverdades colocadas em seu blog no O Globo:
Sr. Ricardo Noblat,
Vi o texto publicado no seu Blog e fiquei estarrecida com as inverdades que foram levantadas na notícia, que, do nosso ponto de vista, antes de ser publicada, deveria ser averiguada e confirmada com representante legal do sindicato, o que não aconteceu em nenhum momento.
O SITRAMICO-RJ publicou, junto com todas as outras notícias de interesse da categoria que representamos, no nosso jornal "O Petróleo" uma denúncia que recebemos de trabalhadores da Petrobras Distribuidora, enviadas à empresa para averiguação – não uma matéria de quatro páginas como induz seu leitor a acreditar. Nosso objetivo foi criar argumentos para uma nova apuração dos fatos e jamais criar tensões políticas ou estimular acusações infundadas e levianas, como nos foi atribuído pelo senhor.
Salientamos que em nenhum momento foi feita qualquer ligação dessa denúncia com o Partido dos Trabalhadores ou com qualquer outro partido, como o senhor afirma, infelizmente, porque não leu nosso jornal.
O trecho onde está escrito: “Diz o informe que o dinheiro obtido por meio das irregularidades foi desviado por militantes do PT que trabalham na Petrobras para fazer face as despesas com campanhas eleitorais”, é uma afirmação incorreta, sem autenticidade, e sem ratificação de qualquer representante de nosso sindicato.
Considero importante e digno o papel da imprensa quando se propõe apresentar fatos concretos, investigados de forma objetiva e com responsabilidade.
Como presidente do SITRAMICO-RJ, reputo como degradante para sua classe e antiética tal forma de jornalismo. Solicito a retificação imediata da informação.
Ligia Arneiro Teixeira Deslandes
Presidente do SITRAMICO-RJ
É por essas e outras, que temos que ter a democratização com regulação da mídia no Brasil! Não dá mais para aturar jornalistas desse nível!
A notícia do Sr. Noblat no Blog dele:
Sindicato denuncia corrupção na Petrobras
Assinado pelo Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minerais e derivados de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, um informe de quatro páginas denuncia licitações viciadas e superfaturadas bancadas pela Petrobrás.
Uma delas foi para a ampliação e modernização da fábrica de lubrificantes da BR em Duque de Caxias. A obra custaria R$ 80 milhões. Saiu por R$ 180 milhões.
Diz o informe que o dinheiro obtido por meio das irregularidades foi desviado por militantes do PT que trabalham na Petrobras para fazer face a despesas com campanhas eleitorais.
Minha resposta ao Sr. Ricardo Noblat sobre as inverdades colocadas em seu blog no O Globo:
Sr. Ricardo Noblat,
Vi o texto publicado no seu Blog e fiquei estarrecida com as inverdades que foram levantadas na notícia, que, do nosso ponto de vista, antes de ser publicada, deveria ser averiguada e confirmada com representante legal do sindicato, o que não aconteceu em nenhum momento.
O SITRAMICO-RJ publicou, junto com todas as outras notícias de interesse da categoria que representamos, no nosso jornal "O Petróleo" uma denúncia que recebemos de trabalhadores da Petrobras Distribuidora, enviadas à empresa para averiguação – não uma matéria de quatro páginas como induz seu leitor a acreditar. Nosso objetivo foi criar argumentos para uma nova apuração dos fatos e jamais criar tensões políticas ou estimular acusações infundadas e levianas, como nos foi atribuído pelo senhor.
Salientamos que em nenhum momento foi feita qualquer ligação dessa denúncia com o Partido dos Trabalhadores ou com qualquer outro partido, como o senhor afirma, infelizmente, porque não leu nosso jornal.
O trecho onde está escrito: “Diz o informe que o dinheiro obtido por meio das irregularidades foi desviado por militantes do PT que trabalham na Petrobras para fazer face as despesas com campanhas eleitorais”, é uma afirmação incorreta, sem autenticidade, e sem ratificação de qualquer representante de nosso sindicato.
Considero importante e digno o papel da imprensa quando se propõe apresentar fatos concretos, investigados de forma objetiva e com responsabilidade.
Como presidente do SITRAMICO-RJ, reputo como degradante para sua classe e antiética tal forma de jornalismo. Solicito a retificação imediata da informação.
Ligia Arneiro Teixeira Deslandes
Presidente do SITRAMICO-RJ
É por essas e outras, que temos que ter a democratização com regulação da mídia no Brasil! Não dá mais para aturar jornalistas desse nível!
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