Aqueles que me conhecem de fato sabem que minha vida nunca foi fácil. Poderia ter sido, mas, não foi. Escolhi caminhos que muitos dos meus não escolheram porque desde pequena sempre acreditei em alguns valores que me acompanham sempre: justiça, solidariedade, igualdade, democracia. Me lembro nitidamente do quanto esses valores foram ressaltados na educação de meus filhos... Minha casa em São Gonçalo sempre esteve aberta a todos da comunidade. Nunca trancamos nossa porta, nem mesmo à noite. Para ilustrar isso quero lembrar um episódio onde uma pessoa da família chegou em nossa casa, num final de semana, abriu a porta e entrou e verificou que meus quatro filhos estavam em casa brincando sozinhos na sala. Eu tinha ido à padaria. Ela aproveitou logo para beijá-los e abraça-los e dar a eles uma caixa de bombons que trouxera consigo. Ficou admirada por encontra-los sozinhos e imaginou que quando eles vissem a caixa de bombons abririam rapidamente e comeriam tudo. Ledo engano! Deixaram a caixa fechada e argumentaram com ela. Deixe a mamãe e o papai chegarem para a gente dividir! Aqui em casa tudo é dividido... É injusto a gente comer tudo! E assim aconteceu. E por que conto isso? Somente para ilustrar para alguns que acham que me conhecem... Por que me tornei sindicalista? Vi e passei por vários momentos de injustiça. Assim, não há porque ficarem assustados ou perplexos com a minha defesa aos condenados dessa farsa jurídica que se tornou a AP 470. Nada na minha vida foi por acaso. Foram escolhas! Nem sempre as melhores para mim, mas, assumidas, e todas, absolutamente todas elas se deram em cima dos valores que mencionei acima. Justiça para mim é um "bem inalienável". Jamais vou compactuar com Injustiça. O processo da AP 470 que a mídia classificou como "Mensalão" para poder passar a ideia de propina paga a deputados possui erros jurídicos do começo ao fim. Quem diz isso são vários juristas de diversas tendências ideológicas. Não sou só eu... A mídia aproveitou-se de Roberto Jefferson, um corrupto de primeira, e sua sede de vingança. Dirceu havia dito a Bob Jefferson que "o PT é um partido que não rouba e não deixa roubar!" como resposta a algumas benesses que ele pediu. Dirceu havia mexido com a mídia distribuindo a publicidade legal do Governo para vários veículos. A mídia corporativa logo entendeu o que Dirceu representava, a ruína dos seus interesses mercantilistas e de poder. Não queriam de jeito nenhum que José Dirceu tivesse os louros pelos muitos dos projetos que estava ajudando Lula a construir. Era preocupante! O próximo candidato a presidente da república poderia ser Dirceu. Era preciso destruir o Governo Lula, o PT e colocar toda a "corja" porta afora... Foi então que Bob Jefferson foi chamado para, em nome de sua vingança, colaborar com a farsa. Aproveitaram do verdadeiro mensalão, o do PSDB, de Azeredo que foi denunciado em 1998 com provas contundentes contra políticos do PSDB, DEM e outros, e armaram a peça jurídica. Bob Jefferson denunciou Dirceu e essa foi a única prova que existia contra ele. Assim, por saberem frágil a acusação tinham que encontrar alguém que pudesse ser o bode expiatório para criminalizar todas as lideranças do Governo e chegar em Lula e no PT. Usaram Pizzolato dizendo que ele era responsável pela prorrogação do contrato com a empresa DNA de Marcos Valério para dar dinheiro para o PT comprar deputados. Como eles conheciam bem o esquema, por experiência própria, usaram e abusaram disso para engendrar através dos dois PGR´s Antonio Fernando e Roberto Gurgel junto com o ex-procurador do MP que virou juiz do STF Joaquim Barbosa a falsa tese de venda de votos. Construíram o pilar da tese condenatória e fatiaram o processo para poder colocar 40 réus de forma ilegal (numa alusão nojenta a Ali Babá e os 40 ladrões) para serem julgados no STF tirando deles a condição de passarem por todas as instâncias judiciais (duplo grau de jurisdição). Apesar de todas essas ilegalidades, os réus acreditaram que teriam um julgamento justo. Apresentaram todas as provas da inocência. Documentos que provam que Pizzolato não assinou nenhuma prorrogação de contrato com a DNA, milhares de documentos e depoimentos de pessoas que atestam que o fundo Visanet (privado) patrocinou eventos com a sua marca junto com a marca do Banco do Brasil e pagou por isso à Globo e outras concessionárias que prestaram serviços de publicidade dessas marcas. Muitos desses eventos nós vimos acontecer, tais como patrocínio dos jogos de vôlei, natação, eventos sertanejos, festas de ano novo no Rio e até, pasmem, um seminário jurídico com a presença de milhares de juízes, entre eles Joaquim Barbosa. Já viram tamanha canalhice? As defesas dos réus apontaram tudo isso e viram um a um de seus milhares de argumentos serem ignorados e manipulados pelos juízes do STF. Muito tarde foram entender que não se tratava de um processo jurídico normal, mas sim uma trama política muito bem engendrada e articulada. Tudo isso vem sendo exposto e denunciado na internet há alguns anos, mas, durante oito anos a sociedade foi exposta de forma torpe a uma campanha midiática em jornais, revistas e TV para emporcalhar a reputação de todos esses companheiros. Vários apelidos foram criados para deixar a trama mais robusta (o termo PTralhas, por exemplo). A falácia de pseudo-jornalistas atrelados a ideologia mercantilista e colonialista de seus patrões covardes. Lula só foi poupado por que esses companheiros se imolaram pelo projeto de governo que estava sendo construído. Alguém em sã consciência poderia imaginar que eu, sabendo de tudo isso, poderia ficar calada? Fiquei e estou indignada e revoltada! E pensar que muitos companheiros de luta sindical ainda são tão ingênuos, influenciáveis e preconceituosos com a política partidária e se apegam as estruturas que vivem sem conhecer ou viver as lutas reais e verdadeiras da sociedade. Só pensam em negociação de acordos e convenções coletivas o ano todo. A luta da classe trabalhadora no Brasil não pode prescindir da luta política que é muito mais ativa do que passiva. É nela que construímos a força para a mudança na sociedade. Conclamo a todos que sejamos mais companheiros de uma vez por todas. A INJUSTIÇA que se faz a um ou mais companheiros é a INJUSTIÇA que poderá ser feita com todos. Não se iludam! Estamos todos no mesmo barco... Mais uma vez a escolha, comandar o barco ou naufragar. Como sempre fiz a minha escolha! Estou do lado da JUSTIÇA! Quero Pizzolato, Delúbio, Genoíno e Dirceu livres! Como quero toda a classe trabalhadora desse Brasil sendo tratada com respeito.
domingo, 17 de novembro de 2013
terça-feira, 29 de outubro de 2013
O VIRTUAL E O REAL E A NOSSA CATARSE COTIDIANA
Não é de hoje que venho observando os movimentos e atitudes de muitos de nós nas redes sociais. Digo "nós" porque eu também me incluo nisso. Tento refletir sempre sobre o meu papel na sociedade e quando reflito sobre o meu papel invariavelmente reflito sobre o papel das pessoas com quem milito e convivo. Não deixamos de ser o que somos quando acessamos uma rede social. Todas nossas carências, preconceitos, crenças, limitações e qualidades de uma forma ou de outra são expostas nas redes queiramos ou não. Alguns de nós pensam que podem mascarar ou esconder suas idiossincrasias atrás da tela de um computador, mas, o que compartilham, como e de que forma compartilham, o que comentam e curtem denuncia o que vai dentro de si. Confesso que tenho andado um tanto cansada do que tenho visto. A novidade de um primeiro momento quando a gente verifica o grande potencial comunicativo das redes e quer a todo custo espalhar a verdade e compartilhar a realidade já esgotou um pouco em mim. Atualmente observo os "olhos", os "ouvidos" e os "sentidos" que a virtualidade da rede tem instigado em muitos de nós e volta e meia me assusto, me entristeço e me rebelo com o que vejo. Independentemente do que, enquanto militantes conseguimos fazer como ação política determinada, compartilhando verdades no meio de tantas mentiras, enganações, mascaramentos e falsas notícias criadas para atacar a esquerda e principalmente, o Partido dos Trabalhadores. Tenho muitas dúvidas sobre o momento que estamos vivendo. Ainda bem que as tenho, pois, certezas cristalizadas não fazem bem a saúde. Muitos se espantam da pancadaria e violência nas ruas. Por que se espantam? O que temos visto nas redes sociais é o espelho e o estopim do que vemos nas ruas. O ódio de classe, a intolerância para com o debate, a falta de vontade para a reflexão, o preconceito com o novo, a discriminação com a experiência reflete a cultura violenta que nos assola e as crenças coloniais que teimam em continuar se fazendo presentes em nossas mentes e corações. É como se vivêssemos em estado de extrema "catarse", bitolados ainda por uma formação medieval que não reconhece a diversidade, o pluralismo e a complexidade presentes nas diversas situações da vida cotidiana. Temos horror ao fundamentalismo religioso e político, mas, quantas vezes partimos para o ataque "demonizando" ou "santificando" pessoas porque elas não estão ao lado de nossos interesses... Como é fácil simplificar as questões e anular o debate! Como é simples dar ênfase ao que não funciona em detrimento do funcional! Tanta coisa mudou no Brasil para melhor... Mas, e nós? Estamos marcados ainda pelo opressor e oprimido que lutam dentro da gente, cada um puxando o tapete do outro. Quando vamos expulsar os dois tendo coragem para assumir o que somos sem a máscara que roubamos do sistema? Essa mesma crônica que me desnuda e desnuda muitos de nós que aprendemos a viver na hipocrisia será motivo de debate? Será que vão compartilhar no facebook, no orkut, no google? Será que vão curtir? Me pergunto se lerão com vontade de questionar-se, de refletir, se passarão adiante o texto pelo simples fato de serem meus amigos na rede ou porque ele de fato lhes tocou a alma? O virtual e o real se misturam numa mesma visão de mundo. Quem são os outros e quem somos nós? É possível responder? O que é virtual e o que é realidade? Quero continuar me questionando e tendo certezas transitórias... São elas que estão me ajudando a compreender esse Brasil que vai pouco a pouco se mostrando como sempre foi. Cabe uma última pergunta e tenho tantas... O que nos cabe fazer para mudar de fato?
domingo, 29 de setembro de 2013
UMA GUERRA POLÍTICA INVISÍVEL
Conversando com um amigo esses dias sobre a ação penal 470 e todas as injustiças cometidas contra os réus que estão sendo condenados nela, consegui ligar alguns pontos importantes sobre a história política atual do Brasil. Até 2002 o Brasil vinha rezando na cartilha do FMI, do Banco Mundial, dos EUA e nada era feito no sentido de mudar essa trajetória. A pedra no sapato do colonialismo mundial foi a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, levando o Partido dos Trabalhadores ao Governo. Não foi a toa que José Dirceu articulou a famosa "Carta aos Brasileiros" e que o PT se aliou a outros partidos tendo como vice-presidente o empresário José Alencar. Tudo isso foi feito para contrabalançar o ódio das elites. Sim, as elites desse país nunca aceitaram ceder de seus privilégios, quanto mais ser governadas por um trabalhador e muito menos que esse trabalhador fizesse mudanças significativas na vida e na cultura dos brasileiros. Uma cultura rançosa de preconceitos, discriminações e subalternidade colonial. Fazendo algum tipo de analogia, o que aconteceu nas eleições de 2002 equivalem a uma nova forma de lei áurea. Houve a formalização legal da libertação almejada pelo povo através das eleições, o Governo foi assumido pelo PT e pelos trabalhadores, mas, o sistema, há anos nas mãos do capitalismo coronelista mundial não quis ceder das vantagens que sempre tiveram do poder. E foi no meio disso que Lula teve que se mexer para buscar soluções no sentido de melhorar a vida do povo brasileiro e buscar a soberania do país. Diria que Lula agiu junto com outras lideranças provocando fissuras no sistema de forma a torná-lo mais permeável as mudanças que precisavam ser feitas. Seus dois mandatos foram responsáveis por provocar inúmeras transformações nas trajetórias econômica, social e política do país, mas, não foram eficazes no sentido de fortalecer uma mudança significativa no "status quo" e na cultura colonial vigente por 500 anos no Estado brasileiro. Ganhar o Governo não fez com que o PT ganhasse o Poder! De fato, muitos sapos tiveram que ser engolidos para que as transformações que ocorreram fossem efetivas. Eu vi isso acontecer de forma contundente na Petrobras. Uma empresa que vinha somente dando prejuízos passou a dar lucros estupendos. A guerra de poder dentro da Petrobras foi semelhante a guerra de poder no Governo Federal. É aí, no meio de uma guerra de bastidores, invisível à população, que iremos entender melhor como aconteceu a Ação Penal 470. Mais do que nunca vejo o quanto a denúncia de Roberto Jefferson, que a princípio parecia um simples ato de vingança, foi um ato inteligente de conspiração contra as transformações que estavam acontecendo e contra a principal liderança que estava coordenando isso. Uma fonte da embaixada norte-americana esses dias falou que José Dirceu era espionado pelos EUA e considerado homem perigoso para os interesses de Washington. Diante de tudo que conhecemos dessa ação penal, o desrespeito ao duplo grau de jurisdição, a falta de provas contra os réus, as inúmeras provas de inocência nos autos ignoradas, documentos que foram escondidos, o comprometimento da mídia com o linchamento dos réus do PT, o aliciamento dessa mesma mídia com políticos dos partidos que sempre estiveram no poder e o envolvimento de magistrados do STF com partidos de oposição e agora sabemos, também com os EUA, e conhecendo sobre a espionagem praticada a tanto tempo no Brasil, não há como não colocar na mesa a tese de que o que sempre esteve em jogo foi a desestabilização do Governo do PT para desestabilizar nossa soberania. Principalmente, depois da elite ter visto que o povo brasileiro ganhou auto-estima, que o Brasil estava melhorando apesar de todos os problemas no cenário mundial e que os mandatos dos governantes do PT iriam pipocar pelo país trazendo inovações em muitas áreas e mudanças culturais e sociais importantes. A necessidade de criar um fato bastante negativo para criminalizar o PT e desestabilizar de vez o Governo foi crucial para fazer com que vários avanços fossem detidos. Acredito que num futuro bem próximo teremos provas documentais de que isso ocorreu. Vários militantes petistas caíram nessa onda e outros partidos de esquerda foram cooptados por seus interesses eleitorais e aproveitaram-se. O PT sobreviveu apesar das mentiras, invencionices, intrigas, ódios e fascismos de muitos contra políticos, militantes e contra o Governo de Dilma. E na linha de tudo isso, ouso colocar em debate, está o petróleo...
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