segunda-feira, 5 de agosto de 2013

PARA QUE SERVEM OS ANIVERSÁRIOS?

Todo ano quando está chegando o dia do meu aniversário sinto uma inquietação por dentro. Várias pessoas já me disseram que sofrem muito alguns dias antes de seu aniversário, e que essa inquietação que eu tenho advêm do fato de que o natalício é uma data onde nos lembramos que estamos nos distanciando da vida e nos aproximando da morte. Fiquei pensando nisso hoje. Será que essas pessoas tem razão? Então por que gostamos de fazer uma festa, porque temos o desejo de estar com aqueles que amamos, por que comemoramos essa data, gostamos de ganhar presentes e outras coisas mais? Não, hoje não vou falar sobre o capitalismo, até porque os aniversários não são as datas mais procuradas para o capitalismo investir, pelo menos não de forma explícita. Talvez algumas pessoas deem presentes por que acham que a educação assim o exige, e com isso fazem o sistema funcionar, mas, existem também aqueles que dão presentes por que amam aqueles que presenteiam e querem dar a eles um pedaço do seu amor em forma de um objeto qualquer. Lembro-me de minha mãe que dizia que os presentes eram muito importantes pois levavam impregnados neles nossas melhores energias e o nosso coração. Sinto que é assim! É por isso que gosto de presentear aqueles que amo sempre que posso. Mas, voltando a inquietação que sinto... Ao refletir sobre ela, tentando entender se havia algum medo ou receio da morte por trás dela, percebi que ao contrário, havia sim muita vida!  Um desejo incontido de me descobrir cada vez mais, de viver cada vez mais, de não esperar tanto para abraçar e beijar os que amo, de não me alongar tanto para dar minha companhia para quem precisa, de não perder tanto tempo com o passado e viver o presente intensamente, de não dar valor a registros destrutivos e lembranças aflitivas. Para que chorar se podemos rir, se podemos brincar com os problemas e torná-los nossos amigos e conselheiros? Eu disse que não ia falar do capitalismo, mas, nessas reflexões de aniversário consegui também analisar o papel das memórias em nossa formação e o quanto elas nos sabotam. Vejamos o nosso cérebro como um computador. O que recebemos nesse computador durante a vida? Sistemas maravilhosos que funcionam perfeitamente nos ajudando a fazer muitas coisas, mas, também fomos inoculados com muitos vírus que prejudicam nossa força, nosso potencial e nossa capacidade de viver a partir do que somos verdadeiramente. Nem todas as "lições" que aprendemos na vida nos fizeram bem ou foram funcionais para nós. Assim, nada melhor do que os aniversários para que possamos refletir, pensar e analisar o passado, purificando essas memórias para que elas  não controlem e nem prejudiquem nosso presente e nosso futuro. Ou seja, temos que passar um antivírus todo aniversário, para limpar nossa mente de sujeiras que poderiam nos dominar e sabotar nosso discernimento e nossa capacidade de nos conduzir para a felicidade. Assim, entendi de uma vez o que era essa inquietação que me absorvia em todo aniversário. É para isso que servem os aniversários... Para limparmos os vírus da dependência dos sistemas que nos convenceram a acreditar, deletar os registros que nos tornam infelizes e incapazes de assumir nosso eu autêntico. E o que isso tem a ver com o capitalismo? Tenho batido sempre nessa mesma tecla, não? E vocês acham que é implicância minha? Pensem então... E façam de seus aniversários uma festa! Reflitam e meditem sobre isso, mas, também vivam e amem muito! Nada é tão importante quanto o amor vivido e compartilhado! É ele que faz o mundo melhor!

domingo, 28 de julho de 2013

CONTEXTOS E FRAGILIDADES NAS RELAÇÕES HUMANAS NA PÓS-MODERNIDADE

Estou lendo Zygmunt Bauman e através dele me inspirei a escrever sobre a tênue e frágil forma de nos relacionarmos na pós-modernidade sob o abrigo das intervenções subliminares e subjetivas do sistema capitalista em nossas mentes e corações. De fato, se observarmos nossas relações nos dias de hoje veremos que elas se transformaram. Seria ótimo se essa transformação estivesse nos fazendo mais felizes e realizados, mas, o que se vê não é isso. O cenário é outro. Costumo dizer que a busca da individualidade não está separada do aprendizado da cidadania, do cuidado com os outros e a vivência com o coletivo. Essa separação é que faz com que muitos não consigam suportar a diversidade e tenham intolerância, preconceitos e dificuldade em aprender uns com os outros. Também acredito que é na relação uns com os outros que temos a oportunidade de aprender sobre nós mesmos. O que nos fere, o que nos torna melhores, o que nos estimula, tudo isso é perfeitamente visível para nós quando nos colocamos de frente para o outro. Mas, os estímulos e efeitos do sistema capitalista em nossa psique tem tirado isso de nós cada vez mais. Mais e mais pessoas tem se visto unicamente pelas redes sociais. O olho no olho, o cheiro, o toque, as conversas, abraços, cumprimentos, beijos, estão em desuso. O estilo shopping center de ser afetou as relações. Afinal, é muito mais fácil bloquear ou deletar alguém de uma rede social do que encarar os problemas e possíveis conflitos oriundos das diferenças entre as pessoas em uma relação. Ninguém mais quer se dar ao trabalho de construir relações duradouras, que mexam com seus sentimentos e estabeleçam vínculos e intimidade. Vivenciar os momentos, ter experiências aprofundadas, conversas mais íntimas faz parte de um tempo antigo que não tem referência com a pós-modernidade. Estamos num tempo de relações rápidas, casuais e sem compromisso. Relações são negócios, são formas de consumo, hierarquia de posições. Não é a toa que o termo negociação se aplica até ao casamento. Aliás, isso não mudou muito em relação ao passado. O que a liberdade sexual proporcionou às pessoas abriu novas oportunidades não para que houvesse maior intimidade e carinho entre casais ou pessoas amigas, mas, que as relações se transformassem de vez em relações de consumo. É o que é visto nos sites de relacionamento que oferecem “produtos”, homens e mulheres que procuram sua “alma gêmea”, “maridos ou esposas”, “relações sexuais sem vínculos” e até algum tipo de "amizade". A mesma expectativa que você tem em relação a um produto que quer consumir, você vai ter em relação a um amigo ou a uma pessoa que quer namorar, por exemplo. Quando a “qualidade” te decepcionar é mais fácil buscar “quantidade”. E a qualidade quando é procurada nunca é a experiência e o conhecimento que podem ser cultivados pouco a pouco no sentido de estabelecer formas de respeito, sinceridade, amizade e amor entre si. No caso da mulher, por exemplo, a qualidade é vista pelo tamanho da bunda ou dos seios, se é gorda ou magra, se fala muito ou pouco, se é elegante ou mal vestida, se sabe ou não economizar, se não é chata, se sabe fazer um bom sexo ou cozinhar bem, enfim... Já no homem, as expectativas de consumo se dão pelo carro que tem, pelo dinheiro que ganha, pela performance sexual que poderá ter com a parceira, se tem potencial para sustentar uma família, e vai por aí a fora... Os amigos serão amigos se satisfizerem os interesses que podem ser múltiplos, caso contrário poderão ser descartados. O mais engraçado de tudo isso é que todos de uma forma ou de outra buscam a felicidade em suas relações. Querem se relacionar bem, querem amar e ser amados, não conseguem perceber que vêem suas relações como um produto que querem comprar e que em algum momento podem jogar fora ou rejeitar por terem imperfeições. No fundo de seu eu não querem isso. Querem vivenciar com intensidade os momentos, viver as relações com profundidade, sentir amor e ternura, querem aprender com as experiências, mas, estão tão alienados na sofreguidão do modo consumista de ser que deixam o medo e a insegurança entrar em seus corações. Tem medo de vivenciar porque não querem sofrer, mas, sofrem muito mais por que não vivenciam e assim não conseguem aprender a se relacionar. É um círculo vicioso angustiante que acaba preservando e alimentando os preconceitos, a exploração, a intolerância, os ódios, as dificuldades das pessoas em aprender umas com as outras. É também responsável por uma sofrida solidão que acompanha muita gente. O capitalismo nos formou seres com fortes desejos de ter vínculos duradouros ao mesmo tempo que nos estimula a tornar esses laços frouxos, sem responsabilidade uns com os outros. Em nome de uma pretensa liberdade que nos é afirmada, mas, que não conseguimos atingir, porque não existe. Ah, sistema de vida triste e superficial. Até quando vamos alimentá-lo? Quando vamos nos libertar de seus grilhões e respirar o amor, a liberdade e o compromisso uns com os outros? Que esse texto sirva ao menos para despertar algumas reflexões sobre o assunto.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

QUERO UMA ANTROPOFAGIA À BRASILEIRA

O que vem a ser antropofagia? Segundo o Wikipédia, antropofagia é o ato de consumir uma parte, ou várias partes da totalidade de um ser humano. É isso mesmo que vocês estão pensando... Canibalismo! Como? Somos canibais? Que história é essa? Explico. Sem essa de pensar em comilança de carne humana. A antropofagia aqui está sendo usada como um conceito cultural, educacional e psicológico também. O capitalismo mundial está passando por sua pior crise. A Europa e EUA estão sofrendo com desemprego em massa, fome, pobreza, doenças e guerras. Toda essa miséria que vem solapando as populações desses países tem sido geradas pelas condições econômicas criadas por corporações capitalistas que capturam os governos para seus fins. O sistema capitalista é assim, totalmente predatório, antropofágico. Há alguns ingênuos que o defendem, naturalizando-o, dizendo que faz parte da vida ser assim. Que os fortes e mais inteligentes superam os fracos e menos dotados. Eu até poderia concordar se não soubesse pela vivência que tive ao longo dos meus 51 anos que todos são iguais quando nascem e ninguém é mais aquinhoado do que outro a não ser pelas oportunidades que tem na vida. Mas, o sistema capitalista não concede oportunidades a ninguém a não ser a ele mesmo. Dinheiro tem que gerar mais dinheiro e que se danem as pessoas. Aliás, faz muito tempo o capitalismo se apossou do cotidiano das pessoas e diz a elas como devem pensar, como devem comer, como devem morar e como devem sentir. A pretensa liberdade que as pessoas acham que tem é totalmente ilusória. O comando é dos capitalistas. Tem sido assim há muito tempo... Analisando o caso brasileiro temos problemas ainda maiores. Tudo no Brasil aconteceu de forma predatória. Nossa colonização se deu com o intuito de exploração de nossas riquezas e nossa força de trabalho. Foi assim que nos formamos. Fomos o último país a abolir a escravidão por lei. Nossas indústrias, nosso comércio e nossa economia sempre esteve a serviço da Europa e dos EUA. Dependentes e oprimidos. E assim aconteceu o processo civilizatório capitalista brasileiro, através de muita espoliação, degradação, violência e opressão. Como pensar democracia numa condição dessas? Como pensar a diversidade em mentes programadas para repelir e hierarquizar as etnias, o gênero, e as opções de vida? Por que tantos se assustam ao ver o fundamentalismo religioso grassando na nossa sociedade? Por que a indignação com a estrutura carcomida de muitas de nossas instituições? Por que a aflição de ver a nossa frágil democracia ser desmerecida e enxovalhada de todos os lados? Afinal que hipocrisia é essa que cobra dos outros e não vê a sua própria contradição? Quem é que corrompe e quem é corrompido? Todos nós estamos vivendo do que nos transformamos. Ainda não acordamos e não somos gigantes! Somos um povo jovem em ascensão tentando provar nossa capacidade de transformação. Tal qual adolescentes, temos necessidade de autoafirmação e assim, negamos o passado sem perceber que julgamos o presente a partir de parâmetros do próprio passado que está entranhado em nós. Se não prestarmos atenção isso poderá nos atrasar mais uma vez na construção de um futuro melhor. Crescer e amadurecer faz bem para a saúde! Precisamos disso! Reflexão é bem melhor que água benta e genuflexão! Conhecer nossa história e nossa cultura é mais saudável que reverberar o discurso da mídia e de tantos outros que sempre estiveram ao lado dos poderosos. Entender as instituições e suas mazelas é bem mais importante para poder muda-las. Os últimos dez anos nos deram essa oportunidade, mudando as prioridades do país e as condições de vida dos brasileiros. Vamos agir feito tolos imaturos e inconsequentes e botar tudo a perder? Que Oswald de Andrade nos ilumine e que possamos edificar uma nova antropofagia, inteiramente nossa, que nos guie e nos faça cortar os liames que ainda nos seguram na colonialidade e impedem a construção de um novo Brasil. Precisamos desesperadamente disso! Sob pena de nos perdermos de novo no caminho. Viva a democracia!